
Esses dias vinha pensando sobre a maior moda do Metal dos ultimos 10 anos. O Metalcore, claro.
Estilo surgido no fim da década de 80 nos EUA, basicamente é a fusão do Hardcore Punk com o Metal Extremo, entenda-se, Thrash e Death Metal. Apesar de ter surgido com bandas como Black Flag e Bad Brains, ainda nos anos 70, foi de mais ou menos 88 pra frente que a coisa explodiu. Converge, Shai Hulud, Corrosion Of Conformity; bandas que essencialmente começavam a diversificar o Metalcore não somente baseando o som num híbrido de Thrash com hardcore, evoluiram as coisas às raias do Death Metal. No entanto, eis que nos anos 90 o Metal deixa de dominar o Metalcore pra deixar o "core" o possuir. Killswitch Engage, Bullet For My Valentine, Atreyu, Underoath, As I Lay Dying, Trivium, e mais uma penca de bandas surgiram com seus vocais melódicos, guturais intercalados e instrumental raivoso.
Pra muita gente que curte o Metal das antigas, isso foi uma facada nas costas. A 'nova geração' do Metal era muito pouco Metal. Até que de repente surge mais uma leva infindável de bandas, o chamado Deathcore. Death Metal agora sim, predomina nas bases das bandas como Suicide Silence, Job For A Cowboy, All Shall Perish, Despised Icon; trazendo a porradaria extrema (de verdade) pro centro do estilo em pleno auge. Isso nos anos 2000 foi uma coisa avassaladora, centenas de bandas surgiram, especialmente nos EUA, dando raias a variações extremamente bizarras.
Surge então algo chamado Mathcore. As guitarras uma vez com riffs pesados e breakdowns intensos agora são caralhamente técnicas ao ponto de as vezes serem tão caóticas que parecem uma criança brincando num piano quebrado. As vezes muita técnica estraga tudo mesmo. The Dillinger Escape Plan, maior hit do Math atual, se salva pela agressividade, outra marca do estilo. O Converge já bem sabia o que era o Mathcore, pena não ter sido muito creditado por isso. Pra curar a meio que 'falta de propósito' do Mathcore, surgem o Dr. Acula, Iwrestledabearonce, The Number Twelve Looks Like You e afins com temáticas bizarras, técnica a flor da pele mas tudo feito de forma a ser o mais inteligente possível. Talvez a parte do Metalcore mais interessante, e que mais adicionou elementos a música pesada no geral.
Daí pra frente, como não poderia deixar de citar, existe o famoso Emocore. Partindo de bandas como Sunny Day Real Estate, nos anos 90, juntando com o punk safado e pop e pitadas de metal as vezes, Senses Fail, Funeral For A Friend, Silverstein, Emery e afins descambam o Metalcore pra ala dos franjudos. E apartir daí que a coisa ficou mais tensa pra galera do Metalzão mesmo, era dificil aguentar um estilo tão... sentimental, invadindo o terreno dos Black Metal da vida.
E no fim das contas, tá pra nascer um estilo mais enjoativo. Depois de 10 anos intensos, o Metalcore tem uma fórmula tão repetitiva que poucas bandas se salvaram. Daí, farei aqui uma pequena lista de bandas que se salvaram e se tornaram realmente grupos grandes que ouviremos pro resto de nossas vidas. Vamlá.
Bandas que não deixaremos de ouvir
Killswitch Engage
Nascida em Westfield, Massachusetts, eis aqui o Iron Maiden dos anos 2000. Falo isso sem medo. O KsE estuprou as bases do Hardcore e do Metal liderado pelo guitarrista Adam Dutktewicz e o vocalista Howard Jones. Os dois primeiros álbuns da banda foram cantados pelo também excelente vocalista Jesse Leach, mas, com todo respeito ao Jesse (<3), foi o negão que botou o KsE no auge. O End Of Heartache de 2004, é de longe o mais aclamado álbum do Metalcore e possui clássicos instantâneos como End Of Heartache e Rose Of Sharyn.
Vai ficar pra sempre, por que é original, soa única e tem músicos do mais alto cacife. Com 5 álbuns na carreira, nunca soou repetitiva, mesmo apostando na mesma fórmula. E apesar de não ser a banda mais pesada do estilo, é a única que eu vejo conseguir fãs de todos os estilos, de Metal à Hardcore de raiz.
Se você nunca ouviu esses caras, compre um cd, arrume um link pra baixar, se enforque, mas não deixe passar essa década sem ouvir a melhor banda que surgiu nela. Sem sacanagem.
Lamb Of God
A uns 5 anos me mostraram uma banda pesada, com uns riffs fodásticos e um vocalista supremo. Ao perguntar que estilo sáporra era, me responderam: "Groove Metal". Retruquei: "Máqueporréessa". Era o Lamb Of God.
O Cordeiro de Deus surgiu Richmond, Virginia, com o nome de Burn The Priest. Mas como deu merda com o nome, mudaram pra este atual. E mudaram bem, diga-se de passagem. Com dois gênios no grupo, o vocalista Randy Blythe e o guitarrista Mark Morton, nada poderia se esperar de menos genial que essa banda. Estandartes da tal "New Wave Of American Heavy Metal", os caras móem ossos nos moshs que provocam com seus riffs avassaladores. Clichês de resenha à parte, isso aqui é música pra ouvir com raiva. Muita.
Dá pra notar que isso aqui é quase Thrash. Daí o Groove ser chamado de Half-Thrash . Mas no fundo no fundo, isso ainda é Metalcore. Eu poderia até por o Hatebreed e o Unearth aqui, também bandas do estilo, mas elas me enjoam pacas. O Lamb of God por outro lado, me vicia.
E se o que faltava pro Metalcore era ideologia e política, o Lamb trouxe isso de volta.
Job For A Cowboy
Pode ser que seja Death Metal isso aqui. Mas jamais será um pecado dizer que é uma das mais importantes bandas do Metalcore.
Nascida em Glendale, Arizona, a banda começou sua carreira com o EP "Doom". Simplesmente considerado um dos baluartes do infante Deathcore, o segundo álbum da banda sacramentou a fórmula intro-riff-berro-breakdown que destrói nossos pescoços até hoje. Inspirada por Hate Eternal, Nile, e outros clássicões da porradaria insana, hoje em dia, mesmo com pouquíssimo tempo de vida e apenas dois full-lenghts o Job é tida como principal influência de 9 entre cada 10 bandas de Deathcore que surgem por aí. E como o último álbum da banda ainda caminha pelos idos do Technical Death, quiçá o Death Metal em si ganhou mais um titã.
Tudo bem que o Deathcore é ainda mais enjoativo e repetitivo que o Metalcore melódico, mas isso não é culpa do Job For A Cowboy, que meio que começou com essa porra toda. O problema é que daí pra frente todo mundo resolveu imitar esses caras. E aí deu merda, estragaram um estilo. Tanto que o próprio Job fugiu do Deathcore. Mas ainda tem outra banda que se salva nessa joça, eis a seguinte:
Despised Icon
Dois vocalistas e um baterista absolutamente espetacular. Hoje em dia o pessoal old's cool adora falar de Dave Lombardo do Slayer, Tony Laureano do Nile e cia como os fodões das baquetas do Metal Extremo. Daqui uns 10 anos, aposto que a nova geração de old's cool vai falar de Alexandre Pelletier. O cara destrói o instrumento com levadas incrivelmente técnicas e precisas sob uma avalanche de riffs e um baixo foderoso. O que diferencia tanto essa banda do Deathcore normal é justamente um instrumental tão foderoso. Tudo perfeitamente coeso, culminando na dicotomia dos vocalistas, um grave e outro mais agudo, fazendo a banda ter uma abrangência vocal desde Pig Squeals à rasgadões.
Vinda de Montreal, Quebec, no Canadá, finalmente uma grande banda do estilo que saiu dos EUA. E eu diria que o Despised é o grande nome do estilo fora da terra do Tio Sam.
Outra banda pra destruir pescoços e mirar naquele teu inimigo mortal na hora do mosh. Não que eu incentive a violência, mas que essa banda inspira isso, ah inspira...
The Dillinger Escape Plan
Quando esses caras começaram a tocar acho que não ensinaram pra eles que existia o compasso 4/4. Por que o que eles menos sabem é fazer música normal. Compassos assimétricos, dissonâncias insanas, vocais esguelados e performances que redefinem a palavra "agressividade". Isso é o Dillinger, mais famosa banda do Mathcore que extrapola os limites da música com um som que vai da calma do Jazz ao improviso introduzido no Metal Extremo. Tudo isso com uma base de Hardcore evidente, que não deixa a banda se despojar de ser uma das maiores do Metalcore atual.
Barulho bagarai.
Mas no fim das contas é uma das bandas desse estilinho safado que você ouve uns 4 segundos e fala: "Pô, é Dillinger". Inconfundíveis.
Iwrestledabearonce
Liderados pela nerd e lindíssima vocalista Krysta Cameron o Iwrestedabearonce surgiu em Shreveport, Louisiana, com uma fórmula na mão pra viciar todo mundo no som deles: Fazer o que der na cabeça a hora que quiser.
Se o Dillinger já era técnico pra cacete, esses caras aqui também o são pros infernos. Mas aqui a coisa é direcionada, não há a intenção de fazer o som mais agressivo da Terra, cada nota é feita pra encaixar numa maluquice específica. Dificil explicar uma sonoridade tão complexa. Vejam por si só que esporro que é essa banda.
Fica na memória cada linha de baixo, cada riff e cada verso (mesmo que a gente não entenda chongas) dessa banda. Se não perder o feeling no segundo álbum, essa banda não vai sumir tão cedo de nossos ouvidos.
Between The Buried And Me
E se não havia nada de retrô no Metalcore, eis que surge uma banda de Metal Progressivo no meio da bagaça. Pegando suas influências da parte mais classicuda da coisa, Genesis, King Crimson, Pink Floyd; o Between mete guturais intensos, quebradas alucinantes e improvisos quase neoclássicos pra criar outra sonoridade absolutamente original.
O vocalista Tommy Rogers alterna lindamente rasgados e limpos acompanhando o instrumental que toca de absolutamente tudo. Desde Jazz do mais puro, a Death Metal do mais esporrento. Formada em Raleigh, na Carolina do Norte, em 2000, aqui está a nata da progressividade no estilo. Claro que tem bandas como The Number Twelve Looks Like You e Protest The Hero que também são progs 'core' fodásticos, mas o Between é o único que você escuta uma vez e fica com ele grudado na cabeça por umas duas semanas.
Bom, tem mais umas 98293718263716263 bandas memoráveis no Metalcore que eu poderia citar, mas essas aí são as que eu sou mais apaixonado. Suicide Silence, As I Lay Dying, Bleeding Through, Bring Me The Horizon, Hatebreed, Divine Heresy, seriam tantos nomes que essa lista demoraria mais tempo pra ser escrita que o suficiente pra a gente ir ver uns jogos da copa no Brasil, então é melhor parar por aqui.
Até a próxima vez que tiver a mesma paciência pra fazer um textinho tão bunitinho. Até mais, pessoas.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Moda é uma merda. Mas rende boas coisas as vezes.
Postado por Forbidden às 14:29
Marcadores: -Despised Icon, -Job For A Cowboy, -Killswitch Engage, -Lamb Of God, -The Dillinger Escape Plan, Metalcore
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5 comentários:
Ficou foda
Grande idéia, senhor Forba. Me diga, quem é o cara gatão da foto abaixo? Me dá o telefone dele? '-'
Só pra constar, o KSE tem 5 álbuns D=
Era uma banda que eu não curtia, já tinha tentado ouvir de todas as maneiras, ai depois que ouvi "Rose of Sharyn" viciei totalmente, bastante melódico e tal, fiquei simplesmente viciado, baixei a discografia dos caras já.
Pra mim eu não conheço nenhuma banda de Groove que se salve, e Lamb of God não é excessão pra mim =X, curto muito o Sacrament, mas é a única coisa que consigo ouvir deles.
É isso que eu comento em particular mesmo, o resto é muito foda
Beijitos
Porra, verdade, esqueci do novo kkk
Obrigado pelos comentários, pessoal.
Ficou muito bom, forba. Parabens pelo trabalho.
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